Um discurso proferido pelo Presidente da República (ainda por cima em tempo de crise) tem que ter interpretação literal, ou seja, não pode estar sujeito a leituras rebuscadas sobre o que SExa queria dizer. Reiteradamente, Cavaco Silva perora e depois aparecem uns «iluminados» a explicar o que C.S. quis dizer (e que nunca é exactamente o que se ouviu!). Ora, apesar do novo acordo ortográfico ter estabelecido regras equívocas quanto à semântica de muitos vocábulos, ainda não foi instituída uma nova língua. Donde, o cidadão português não tem que saber traduzir «cavaquês». O Presidente da República queixou-se; disse que ganhava mal; disse que não tinha dinheiro para fazer face às despesas e, nesta conjuntura (com a maioria dos portugueses a ganhar muito menos do que ele), dizer o que disse é um disparate e é, sobretudo, imoral.
Se isto é um exercício louvável sobre a incapacidade do Presidente da República de controlar despesas próprias, tal dá o direito aos que ganham menos do que ele de barafustar ainda mais do que Cavaco Silva. Por outro lado (e aqui sim, reconheço que não houve politólogo ou analista a referi-lo), as palavras do Presidente da República são uma crítica directa às políticas do governo: afinal, estes governantes são tão maus que até o Presidente de Portugal se queixa de falta de dinheiro.
4 comentários:
Têm-lhe saído muitos disparates pela boca fora.
Este, além de disparate, foi uma ofensa.
Uma ofensa a quem está a passar por genuínas dificuldades para (sobre)viver
As coisas podem ser vistas pelos dois lados, pois podem. Até o Cavaco está com dificuldades (tadito) e até nós, temos que ter uma paciência de santo para aturar queixinhas imorais vindas de um PR que nunca soube o que era português porque a única língua que domina é o tal "cavaquês".Irra!
Pedro Coimbra,
Exactamente.
Relogio,
O que me parece absolutamente extraordinário é ainda haver quem defenda a atitude do senhor. O homem é um bluff.
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