Segunda-feira, 23 de Janeiro de 2012

Cavaco Silva está com dificuldades financeiras. Temos pena.

Um discurso proferido pelo Presidente da República (ainda por cima em tempo de crise) tem que ter interpretação literal, ou seja, não pode estar sujeito a leituras rebuscadas sobre o que SExa queria dizer. Reiteradamente, Cavaco Silva perora e depois aparecem uns «iluminados» a explicar o que C.S. quis dizer (e que nunca é exactamente o que se ouviu!). Ora, apesar do novo acordo ortográfico ter estabelecido regras equívocas quanto à semântica de muitos vocábulos, ainda não foi instituída uma nova língua. Donde, o cidadão português não tem que saber traduzir «cavaquês». O Presidente da República queixou-se; disse que ganhava mal; disse que não tinha dinheiro para fazer face às despesas e, nesta conjuntura (com a maioria dos portugueses a ganhar muito menos do que ele), dizer o que disse é um disparate e é, sobretudo, imoral.
Se isto é um exercício louvável sobre a incapacidade do Presidente da República de controlar despesas próprias, tal dá o direito aos que ganham menos do que ele de barafustar ainda mais do que Cavaco Silva. Por outro lado (e aqui sim, reconheço que não houve politólogo ou analista a referi-lo), as palavras do Presidente da República são uma crítica directa às políticas do governo: afinal, estes governantes são tão maus que até o Presidente de Portugal se queixa de falta de dinheiro.

4 comentários:

Pedro Coimbra disse...

Têm-lhe saído muitos disparates pela boca fora.
Este, além de disparate, foi uma ofensa.
Uma ofensa a quem está a passar por genuínas dificuldades para (sobre)viver

relogio.de.corda disse...

As coisas podem ser vistas pelos dois lados, pois podem. Até o Cavaco está com dificuldades (tadito) e até nós, temos que ter uma paciência de santo para aturar queixinhas imorais vindas de um PR que nunca soube o que era português porque a única língua que domina é o tal "cavaquês".Irra!

Austeriana disse...

Pedro Coimbra,
Exactamente.

Austeriana disse...

Relogio,
O que me parece absolutamente extraordinário é ainda haver quem defenda a atitude do senhor. O homem é um bluff.