Segunda-feira, 6 de Fevereiro de 2012

Contra o Acordo Ortográfico. Em defesa das consoantes mudas


Há uma cadeira nos cursos de Letras/Humanidades chamada História da Língua, na qual os estudantes tomam conhecimento da evolução do Português ao longo dos tempos. O objectivo desta aprendizagem é não só perceber os mecanismos com que a comunicação linguística se foi/vai confrontando ao longo dos tempos, mas é igualmente o de registar a memória da língua enquanto elemento fundamental da identidade de um país/povo.

Será, certamente, por isso que irlandeses, escoceses, galeses, ingleses, canadianos, australianos, norte-americanos, etc. nunca criaram uma fantochada com a designação pomposa de "Acordo Ortográfico". Quem é que «acordou»? E por alma de quem?

Nem aprecio as tretas politiqueiras de Vasco Graça Moura, mas desta vez concordo com ele. Por outro lado, a nossa soberania já está num estado tão lastimoso que, pelo menos, deviam deixar a Língua Portuguesa em paz - é um dos poucos bens patrimoniais que ainda temos.

Segunda-feira, 23 de Janeiro de 2012

Cavaco Silva está com dificuldades financeiras. Temos pena.

Um discurso proferido pelo Presidente da República (ainda por cima em tempo de crise) tem que ter interpretação literal, ou seja, não pode estar sujeito a leituras rebuscadas sobre o que SExa queria dizer. Reiteradamente, Cavaco Silva perora e depois aparecem uns «iluminados» a explicar o que C.S. quis dizer (e que nunca é exactamente o que se ouviu!). Ora, apesar do novo acordo ortográfico ter estabelecido regras equívocas quanto à semântica de muitos vocábulos, ainda não foi instituída uma nova língua. Donde, o cidadão português não tem que saber traduzir «cavaquês». O Presidente da República queixou-se; disse que ganhava mal; disse que não tinha dinheiro para fazer face às despesas e, nesta conjuntura (com a maioria dos portugueses a ganhar muito menos do que ele), dizer o que disse é um disparate e é, sobretudo, imoral.
Se isto é um exercício louvável sobre a incapacidade do Presidente da República de controlar despesas próprias, tal dá o direito aos que ganham menos do que ele de barafustar ainda mais do que Cavaco Silva. Por outro lado (e aqui sim, reconheço que não houve politólogo ou analista a referi-lo), as palavras do Presidente da República são uma crítica directa às políticas do governo: afinal, estes governantes são tão maus que até o Presidente de Portugal se queixa de falta de dinheiro.

Domingo, 30 de Outubro de 2011

Shakespeare? Sempre actual...


"DON PEDRO: Officers, what offence have these men done?
DOGBERRY: Marry, sir they have committed false report, moreover they have spoken untruths, secondarily they are slanders, sixth and lastly they have belied a lady, thirdly they have verified unjust things, and to conclude they are lying knaves."

William Shakespeare. Much Ado about Nothing, v, 1.

Segunda-feira, 10 de Outubro de 2011

Comparar Sócrates e Jardim?

Quem por aqui passa sabe que nunca fui socrática. Todavia, estou um bocado farta do argumento idiota - que passa constantemente nos meios de comunicação - que consiste em comparar as condutas de Sócrates e de Jardim.
É como comparar a Estrada da Beira com a beira da estrada: em 1º lugar, porque mesmo que Sócrates tivesse escondido défice (coisa que não fez), isso não daria a Jardim o direito de fazer o mesmo; depois, porque a dívida da Madeira supera 3 vezes a do continente, em termos de percentagem, e Jardim contribui em nada para pagar as contas do continente; acresce ainda o facto de os gastos de Sócrates (bons ou maus) terem sido feitos às claras e Sócrates nunca ter vindo para os media gabar-se de ter andado a esconder as contas.

Quarta-feira, 21 de Setembro de 2011

É a proliferação do «amiguismo» e da troca de interesses

Se a contratação directa de professores pelos directores das escolas básicas e secundárias vier para ficar (cf. aqui), um dia destes vamos ter gente a dar aulas que nem a licenciatura «bolonhesa» obteve.

Sábado, 17 de Setembro de 2011

A dívida colossal de Alberto


Alberto escondeu uma dívida colossal de 1681,3 milhões de euros (encargos por registar e Acordos de Regularização de Dívidas que não foram comunicados). Pedro responsabiliza Alberto. António José diz que Pedro deve assumir culpa. Mas que dizer então acerca das co-responsabilizações anteriores a Pedro e das entidades que avalizam as nossas contas públicas?